“Make me feel good,” she whispered brokenly, and he didn’t know what to do. How could he, anyway, when she had pretty tattoos on her skin and red hair to match the sun’s heat? 

He coughed, trying to cover his inadequacy by being terribly inadequate. 

“What would make you feel good?” he asked cagily, trying not to panic. What would make her feel good? World peace? An end to famine? A t-shirt with John Lennon’s face on it? 

She looked at him oddly and he realized he had probably asked that out loud. 

Instead of leaving, pouting or slapping him in the face, she smiled. Her smile tasted like secrets, he had discovered, and it was a while before she answered. Her tone of voice couldn’t mask how silly she found him, and the relief was that it was a good kind of silly. “Sex,” was her answer. 

He pondered for a few seconds. Well, yeah. Why hadn’t he thought of it before? 

Às vezes eu fico pensando. Se o feminismo é algo tão difícil de ser entendido até mesmo por mulheres, imagina a dificuldade que um homem (caucasiano e de classe média alta, para piorar ainda mais) pode ter para compreender esse movimento? Saber que existe inequalidade e preconceito é superficial; temos a consciência, todos os dias e a cada segundo, de que há pessoas passando fome pelo mundo. Isso já se tornou tão comum que nem afeta mais a maioria. É fácil de entender que existem discrepâncias entre o salário da mulher e do homem, que o corpo da mulher é visto como objeto sexual, que por anos o homem foi visto como o chefe da casa e a mulher como a empregada. E é nesse momento que muitos dizem “Mas o mundo está mudando. Mulheres trabalham, mulheres votam, se isso não é equalidade, então o que é?”

Não. Não é isso.

Não é esse o foco. Não é essa a alma do sentimento. Sabe qual é? Eu vou te dizer. Pensemos que, teoricamente, tu é uma mulher. Tu coloca uma calça jeans, uma blusa e um tênis. Tu sai de casa. Tu não está, de maneira alguma, vestida com nada que possa ser considerado provocante, muito menos sexual. Sabe o problema? Não importa. Não importa se tu tá de peitos de fora, pelos púbicos ao vento, você vai andar pela rua e pessoas vão te encarar. Homens vão te olhar de cima a baixo, vão gritar “linda” ou “gostosa” ou, pior ainda, “baranga” para ti sem o mínimo de respeito, como se, em uma analogia meio idiota, eles estivessem em um museu e tu fosse um quadro; como se o direito de te encarar e te desejar e dizer se é bom ou se é ruim, de aprovar ou desaprovar, fosse deles, porque, afinal, estamos lá em exposição.

Ser mulher é viver em constante desconforto, com vergonha do próprio corpo, por ele ser desejado e, ao mesmo tempo, nunca bom o suficiente (vide vídeos da Laci Green). Ser mulher é não ter coragem de sair à noite (forget that, ter medo de sair ao dia) por medo de ser estuprada. Ser mulher é sentir uma obrigação externa quase moral de ser desejável, de ser bonita, de ter um corpo legal; mulher que não é bonita, afinal, serve pra quê? Ser mulher é precisar ouvir que “aquela personagem é muito Mary Sue” quando a personagem é forte e corajosa; que “aquela mulher é ridícula” quando o autor mostra uma personagem submissa e “nossa, mas que personagem sem graça”, quando a pessoa em questão é uma “mulher normal”, sem muitos defeitos terríveis ou qualidades exageradas.  O pior do machismo não são as piadas de mau gosto, os “lugar de mulher é na cozinha”, os “mulher não deveria poder dirigir”, ou os “tinha de ser loura burra”. O pior do machismo são as crenças inconscientes que existem dentro de cada. pessoazinha. dessa sociedade deturpada, não importando se é mulher, homem ou trans*. Por que é aceitável (até por ali) uma mulher se vestir como um homem, mas é bizarro um homem se vestir como uma mulher, usar maquiagem, resolver que ele quer ter peitos também? Por que “gay” e “(trans)viado” são termos pejorativos?

Porque se um homem tem características femininas, afinal, ele não é homem. Ele não é macho.

A inequalidade entre homens e mulheres, aliás, é só a cobertura do bolo (ou qualquer outra comparação idiota que tu queira fazer). Não é, de maneira alguma, a única coisa de que o feminismo trata. Se ser mulher é difícil, imagina ser mulher, ser negra, não ter status e não ter dinheiro? Se ser mulher é difícil, imagina se identificar como trans*; imagina não saber ao certo quem tu é, imagina não poder fazer algo banal como ir ao banheiro simplesmente por não saber se tu deve entrar pela porta do masculino, ou pela porta do feminino. O feminismo não luta somente pelos direitos das mulheres. O feminismo luta pelo fim de toda e qualquer inequalidade, todo e qualquer preconceito, de todos esses pensamentos subconscientes que mais do que escravizarem somente as pessoas do sexo feminino, escravizam também os homens. A nossa sociedade de sexualização máxima enfia o patriarcado goela a baixo de meninos que mal tem idade para fazer xixi na privada. Seja com a proporção ridícula de homens super heróis/mulheres super heroínas, seja com clipes de música que mostram mulheres seminuas, dançando e se esfregando no macho alfa, seja até mesmo somente enxergando a relação entre os seus próprios pais e mães. Essas normas inconscientes que nos são impostas desde criancinhas nos fazem mais do que simplesmente dar um salário menor para a mulher; elas nos impedem de ter relacionamentos interpessoais saudáveis, fazem crianças serem esnobadas na escolinha porque gostam de brincar de Barbie e não de carrinhos, fazem com que aquilo que há de diferente se torne uma doença, e não algo a ser compreendido e festejado. E isso é sem nem entrar no mérito do gênero e das crenças heteronormativas, o que daria mais umas dez páginas que eu sei que ninguém tá a fim de ler.

O que eu quero é viver num mundo em que eu não esteja saindo de uma clínica hospitalar e um cara passe por mim, me olhe de maneira nojenta, e diga “Nossa, que linda”, como me aconteceu há não muito tempo atrás. Com licença? Eu não pedi a tua opinião, tu não me conhece, tu não tem direito algum sobre mim ou sobre o meu corpo, que tal um pouco de respeito? Entretanto, sabe o pior? O pior foi a minha reação. Nenhuma. Nada. O máximo que eu consegui fazer foi encará-lo com cara de desprezo, muito pouco perto das poucas e boas que eu deveria ter dito, mas eu não consegui. Travei. De medo. E se eu respondesse e ele resolvesse dar meia volta e me socar a cara?

Eu não quero mais precisar sempre cogitar essa possibilidade. Eu quero me sentir segura. Eu quero não me sentir violada.

Se tu fosse eu, também não estaria puto da cara?

Nos últimos anos, tornou-se comum a noção de que cada vez menos jovens querem ser professores. Muitas vezes, não há sequer a dúvida da escolha, pois a profissão não chega nem a ser considerada uma opção viável. De acordo com a Fundação Carlos Chagas, em pesquisa realizada sobre a atratividade da carreira docente no Brasil, 67% dos 1.501 jovens entrevistados não pensam em ser professores. Dizer que esses números são nada menos do que um tapa figurativo no rosto da sociedade brasileira é redundante. Professores, afinal, são um dos pilares de qualquer país.
Ademais, que o Brasil não investe em educação não é novidade. Que a maioria do país é analfabeta funcional, muito menos. A falta de atenção para com os seus professores, entretanto, é um fato tão gritante quanto ignorado. Como pode-se esperar um bom futuro para uma nação com profissionais despreparados? Como, em um país que dispõe da sexta maior economia do mundo, pode ser tolerada tamanha discrepância quando o assunto é a educação?
Atualmente, ocupar a “profissão das profissões”, embora pareça lisonjeador, é mais trabalhoso do que recompensante. A falta de uma política sistemática para a formação contínua dos professores, não obstante sendo ruim por si só, também dificulta a atualização dos docentes brasileiros, o que, por sua vez, vai tornando a educação cada vez mais defasada. A consciência política no que diz respeito à importância social dos professores é baixa, resultando em um inevitável descaso quanto à carreira. Se continuarmos seguindo nessa direção, nada garantirá que conseguiremos achar o caminho de volta.
Devemos dar um basta, portanto, em nossos hábitos reacionários. Precisa haver um investimento pesado na educação e nos profissionais que atuam nessa área. Não podemos esperar que os outros façam por nós aquilo o que é certo; a sociedade deve exigir do governo os direitos básicos que nos pertencem por lei. Políticas para a melhoria da educação são necessárias com urgência, mas, mais do que isso, precisa haver uma mudança de mentalidade com relação à profissão docente. Todos sabemos, afinal, que aprender é um privilégio. Por que, então, também não tratamos os professores como um?

Marla shouts to the police that the girl who lives in 8G used to be a lovely charming girl, but the girl is a monster bitch monster. The girl is infectious human waste, and she’s confused and afraid to commit to the wrong thing so she won’t commit to anything. 

“Happiness in intelligent people is the rarest thing I know.”

Não vou ser boba e dizer que eu nunca pensei dessa maneira. É muito fácil falar que “Essa gente burra é feliz porque não tem conhecimento, senão estaria tão puto da cara quanto eu.” Mas será que é realmente assim que funciona?

Uma vez eu disse para o meu pai: “Pessoas inteligentes são infelizes porque vêem o mundo como ele é.”
Ele, muito calmamente, me respondeu o seguinte: “Pessoas realmente inteligentes vêem o mundo como ele é, e o compreendem.”

Eu planejava escrever um texto dissertando sobre a minha opinião, sobre a arrogância daqueles que acham que possuem mais conhecimento do que a maioria, e sobre a veracidade da opinião do fulano ou da opinião do sicrano.

Acho que só quero dizer assim: meu pai dá de dez a zero no pobre do Hemingway.

You saved my life he says   I owe you everything.

You don’t, I say, you don’t owe me squat, let’s just get going, let’s just get gone, but he’s

relentless,

keeps saying  I owe you, says  Your shoes are filling with your own damn blood,

you must want something, just tell me, and it’s yours.

But I can’t look at him, can hardly speak,

I took the bullet for all the wrong reasons, I’d just as soon kill you myself, I say.

You keep saying  I owe you, I owe… but you say the same thing every time.

Let’s not talk about it, let’s just not talk.

Not because I don’t believe it, not because I want it any different, but I’m always saving

and you’re always owing and I’m tired of asking to settle the debt.

Don’t bother.

You never mean it anyway, not really, and it only makes me that much more ashamed.

There’s only one thing I want, don’t make me say it, just get me bandages, I’m bleeding,

I’m not just making conversation.

There’s smashed glass glittering everywhere like stars. It’s a Western, Henry,

it’s a downright shoot-em-up. We’ve made a graveyard out of the bone white afternoon.

It’s another wrong-man-dies scenario

and we keep doing it, Henry, keep saying  until we get it right…

but we always win and we never quit, see, we’ve won again, here we are at the place

where I get to beg for it

where I get to say  Please, for just one night, will you lay down next to me, we can leave our

clothes on, we can stay all buttoned up?

or will I say

Roll over and let me fuck you till you puke, Henry, you owe me this much, you can indulge me

this at least, can’t you?  but we both know how it goes. I say  I want you inside me

           and you hold my head underwater, I say   I want you inside me

and you split me open with a knife. I’m battling monsters, half-monkey, half-tarantula,

I’m pulling you out of the burning buildings and you say  I’ll give you anything.

But you never come through.

Give me bullet power. Give me power over angels. Even when you’re standing up

you look like you’re lying down, but will you let me kiss your neck, baby? Do I have to

tie your arms down?

Do I have to stick my tongue in your mouth like the hand of a thief, like a burglary

like it’s just another petty theft? It makes me tired, Henry. Do you see what I mean?

Do you see what I’m getting at?

You swallowing matches and suddenly I’m yelling  Strike me. Strike anywhere.

 I swear, I end up feeling empty, like you’ve taken something out of me, and I have to search

my body for the scars, thinking

Did he find that one last tender place to sink his teeth in?   I know you want me to say it, Henry,

it’s in the script, you want me to say  Lie down on the bed, you’re all I ever wanted

          and worth dying for too

but I think I’d rather keep the bullet this time. It’s mine, you can’t have it, see,

I’m not giving it up. This way you still owe me, and that’s

as good as anything.

You can’t get out of this one, Henry, you can’t get it out of me, and with this bullet

lodged in my chest, covered with your name, I will turn myself into a gun, because

it’s all I have,

because I’m hungry and hollow and just want something to call my own. I’ll be your

slaughterhouse, your killing floor, your morgue and final resting, walking around with this

bullet inside me

‘cause I couldn’t make you love me and I’m tired of pulling your teeth. Don’t you see, it’s like

I’ve swallowed your house keys, and it feels so natural, like the bullet was already there,

like it’s been waiting inside me the whole time.

Do you want it? Do you want anything I have? Will you throw me to the ground

like you mean it, reach inside and wrestle it out with your bare hands?

If you love me, Henry, you don’t love me in a way I understand.

Do you know how it ends? Do you feel lucky? Do you want to go home now?

There’s a bottle of whiskey in the trunk of the Chevy and a dead man at our feet

staring up at us like we’re something interesting.

This is where the evening splits in half, Henry, love or death. Grab an end, pull hard,

and make a wish.

Fato 01: todos nós sabíamos que essa situação era temporária. Pode falar o que quiser, mas dentro dos nossos coraçõezinhos de fã já havia a certeza de que o Pedicone não fazia parte dessa família que chamamos de My Chemical Romance. Pelo menos, não como o Bob fez (e, se formos sinceros, sempre fará).

Mas isso, ao contrário do que muitos pensam, não tira dele o mérito de ter dado a mão para o MCR quando eles precisaram, e tampouco torna menos verdade o carinho que a maioria dos fãs sentia e ainda sente por ele. Admitamos: o cara tem carisma, toca bem pra caralho e é colírio para os olhos.

O que fazer, então, quando a merda literalmente has hit the fan?

Nada.

Exatamente. Eu sei e todo mundo sabe como o Frank é teimoso, como o Gerard é mais teimoso ainda. Se a separação do Bob foi como foi, vocês acham que vai ter segunda chance para o Pedicone, mesmo se ele disser que estava roubando a pedido de Jesus ou alguma merda assim? É claro que não.

Pode até ser que alguém se equivocou nessa história. Que a culpa seja desse homem misterioso (ou não tão misterioso assim) com quem o Pedicone afirma não ter se dado bem. Pode até ser que os meninos tenham agido mal em não ouvir o lado do Michael. De qualquer maneira, isso não torna o fato da situação menos verdadeiro:

Ele foi pego roubando. E podem falar o que quiser, mas os motivos dele não me convencem. Eu gosto do cara, gosto mesmo, mas fico pensando no tipo de mentalidade que o ser humano não deve ter para agir dessa maneira (que, por sinal, ele mesmo disse que foi sem pensar) ao invés de ser um adulto e agir de acordo.

Aliás, tem que ser burro pra cacete pra ser pego no flagra, né?

Sinceramente, não quero que faça parte da minha banda favorita o tipo de pessoa que toma essas decisões controversas sem pensar a respeito. Eu entendo, aliás, o tom do post decepcionado do Frank: ele era, obviamente, o que mais se dava bem com o Pedicone. E bem sabemos que quando o Frank aceita uma amizade, ele se joga com tudo. Deve ter sido doloroso o suficiente para ele não estar nem a fim de ouvir o outro lado da história.

Mas também entendo o tom de arrependimento do Pedicone, e acho que ele merece pontos por ter pedido desculpas não somente a eles, mas também a nós, mesmo que ele, na verdade, não nos devesse desculpa alguma.

Pode ter certeza que isso vai ser tratado como cold case. Volta e meia vai surgir fulano com ideias mirabolantes e teorias de conspiração. Não muda nada. O Pedicone não vai voltar.

We can deal with it. Já sofremos perdas piores, afinal.

“Eu e meu peixe dourado estamos aqui, nadando no mesmo lugar.
A costeleta parece que foi escavada de uma caixa de gato.
Para acalmar a garota, para fazê-la me ouvir, eu conto a ela a história do meu peixe.  Este é o peixe número seiscentos e quarenta e um de uma vida inteira de peixes dourados. Os meus pais me compraram o primeiro para me ensinar a amar e a cuidar de outra criaturazinha viva de Deus. Seiscentos e quarenta peixes depois, a única coisa que sei é que tudo que você ama morrerá. Quando você encontra aquela pessoa especial, pode contar que um dia ela vai estar morta e enterrada.” pg. 17

“É engraçado, mas as pessoas sempre perguntam se ela estava chorando. Perguntam se meu pai chorou e me abraçou antes de eu ir embora. E as pessoas sempre ficam pasmadas quando eu digo que não. Ninguém chorou nem me abraçou.
Ninguém chorava ou se abraçava quando a gente vendia um porco também. Ninguém chorava ou se abraçava antes de matar uma galinha ou colher uma maçã.
Ninguém passava a noite acordado imaginando se o trigo plantado estava feliz e realizado por estar sendo transformado em pão.” pg. 19

“Um cara está ligando para dizer que vai ser reprovado em Álgebra II.
Só para manter a prática, eu digo, se mate.
Uma mulher liga e diz que seus filhos não se comportam.
Sem hesitar, digo a ela, se mate.
Um homem liga para dizer que seu carro não quer pegar.
Se mate.
Uma mulher liga para perguntar a que horas o filme da madrugada começa.
Se mate.
Ela pergunta: “Aí não é 555-1327? Não é o CinePlex Moorehouse?”.
Eu digo, se mate. Se mate. Se mate.
Uma garota liga e pergunta: “Dói muito morrer?”.
Bem, querida, eu digo a ela, dói muito mais continuar vivendo.” pg. 49

In other words: leiam. Da série Vale a Pena de hoje. Cheers!

No mundo contemporâneo em que vivemos, onde somos preparados desde pouca idade para as competições no meio de trabalho, seria quase ingênuo dizer que ter talento basta. Tampouco é cinismo reconhecer que milhares de pessoas talentosas nascem e morrem todos os dias, e que isso não significa um passaporte vitalício para o sucesso garantido. Embora seja indubitavelmente importante, a incongruência de dizer que talento é o suficiente é quase cômica. É preciso, acima de tudo, fazer a diferença. Nenhum contratante, por exemplo, se contentaria com apenas talento; ser talentoso, hoje em dia, é clichê e comum. Ter bons atributos por si só não faz um profissional bem-sucedido, mas é apenas o primeiro passo para uma vida em sociedade onde é necessário lutar pelo que se quer. Quando Mozart era criança, tocar piano de olhos fechados com sete anos de idade parecia até mesmo obra divina; hoje em dia, criar uma ópera aos três não é nem motivo para capa de jornal. Podemos observar que, conforme progredimos socialmente, os requerimentos necessários para ser reconhecido vão aumentando. Saber cantar não é mais o suficiente – além disso, também é necessário saber dançar, atuar e, de quebra, ser um gênio da matemática. Como viver em um mundo, portanto, onde se torna obrigação ser mãe, esposa, cozinheira e malabarista ao mesmo tempo? Dizer que a concorrência é grande é eufemismo; a concorrência de hoje é como uma avalanche que, se não nos engole, certamente passa por cima e esmaga a todos pelo caminho enquanto resmunga sobre seres humanos que não sabem voar. É claro que muitas pessoas são talentosas e querem a oportunidade de poder abocanhar um pedacinho do mundo, mas apenas aquelas que se tornam excepcionais naquilo que fazem terão suas pegadas inevitavelmente imortalizadas na calçada da vida.

E esse foi o Pense Nisso de hoje. Cheers.


		

“Odeio os indiferentes. Como Frederico Hebbel, acredito que ‘viver quer dizer tomar partido’. Não podem existir os apenas homens, os estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia (…). Por isso, odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual frequentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos. (…)

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destroí os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heroico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos poucos que atuam, quanto à indiferença de muitos. O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. (…) Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se preocupa.”